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do Hospital de
Olhos de Cascavel

Investigando o glaucoma: quais exames são necessários?

Responda rápido: você tem algum caso de glaucoma na família? Qual foi a última vez que você passou com um médico oftalmologista? 

Num primeiro olhar, essas perguntas parecem simples, rotineiras. Porém, as respostas podem ser o fator decisivo entre a saúde ocular e um possível caso de perda da visão.

Isso porque o glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. E, mesmo sendo uma doença comum e conhecida, muitas pessoas ainda não dão a devida importância ao acompanhamento profissional e ao diagnóstico precoce. 

Um dos fatores que explica essa realidade é o fato de o glaucoma ser uma doença silenciosa. No início, não há dor, vermelhidão, lacrimejamento, nem outros sinais perceptíveis. Por isso, é comum as pessoas pensarem que, se não há sintomas, não há risco. 

Porém, a realidade do glaucoma é outra: quando começam a aparecer desconfortos ou alterações visuais, a doença já se encontra em estágios avançados, o que dificulta o manejo e impede que os sintomas sejam amenizados. A doença costuma comprometer primeiro a visão periférica e, apenas em estágios mais avançados, afeta a visão central. Por isso, muitos pacientes só percebem que existe um problema quando já ocorreu uma perda visual significativa.

O glaucoma afeta o nervo óptico, que é a estrutura responsável por transmitir as imagens captadas pelos olhos até o cérebro, onde ocorre o processamento da visão. Mesmo que os olhos estejam saudáveis, qualquer dano ao nervo óptico compromete a formação da imagem e, consequentemente, a capacidade de enxergar.

Como as fibras do nervo óptico não possuem capacidade de regeneração, os danos provocados pelo glaucoma são permanentes. Isso significa que a perda visual causada pela doença não pode ser recuperada, tornando o diagnóstico precoce ainda mais importante.

Aproximadamente 80% dos casos de glaucoma possuem componente hereditário. “Conhecer o histórico familiar é extremamente importante. Pacientes que possuem parentes diagnosticados com glaucoma devem informar essa condição ao oftalmologista durante as consultas, permitindo um acompanhamento mais atento e individualizado”, destaca a Dra. Letícia Daud, médica oftalmologista especialista em catarata e glaucoma, integrante da equipe do Hospital de Olhos.

Embora não seja possível prevenir a predisposição genética, é possível detectar a doença precocemente e iniciar o tratamento antes que ocorram perdas visuais significativas. Por isso, as consultas oftalmológicas periódicas são fundamentais para preservar a saúde ocular.

Quais exames serão necessários no acompanhamento?

O diagnóstico do glaucoma não depende de apenas um exame. Na prática, o oftalmologista reúne informações obtidas em diferentes avaliações para analisar a saúde do nervo óptico e monitorar possíveis alterações ao longo do tempo.

Avaliação da visão

Durante a consulta, é realizada a análise da acuidade visual, permitindo identificar possíveis alterações na capacidade de enxergar.

Biomicroscopia

Esse exame utiliza um microscópio específico para avaliar detalhadamente as estruturas oculares. Pequenas alterações observadas durante essa análise podem indicar a necessidade de uma investigação mais aprofundada.

Medição da pressão ocular

A avaliação da pressão intraocular é um dos exames mais conhecidos quando se fala em glaucoma.

Embora nem todo paciente com glaucoma apresente pressão ocular elevada, essa medida é extremamente importante tanto para o diagnóstico quanto para o acompanhamento da doença.

Fundoscopia ou biomicroscopia de fundo

Esse exame permite visualizar diretamente o nervo óptico por meio de lentes especiais.

A avaliação é fundamental para identificar sinais de desgaste ou alterações estruturais que possam indicar a presença do glaucoma.

Fotografia do nervo óptico

Quando necessário, o médico pode solicitar imagens detalhadas do fundo do olho.

Essas fotografias permitem documentar a aparência do nervo óptico e comparar sua evolução ao longo dos anos, auxiliando no acompanhamento da doença.

Campimetria computadorizada (campo visual)

A campimetria é um dos exames mais importantes para pacientes com glaucoma.

Enquanto o teste tradicional de leitura das letras avalia a visão central, a campimetria analisa a visão periférica — justamente a primeira região afetada pela doença.

Por meio desse exame, é possível identificar perdas visuais que muitas vezes ainda não são percebidas pelo paciente.

Direto ao ponto

Vale lembrar que o tratamento não recupera a visão perdida, porém é capaz de impedir ou retardar a progressão da doença, preservando a visão que ainda existe.

Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento regular são fundamentais para evitar a evolução do quadro. O glaucoma é uma doença séria, mas que pode ser controlada quando diagnosticada precocemente e acompanhada de forma adequada.

Consultas oftalmológicas regulares, especialmente para pessoas com histórico familiar da doença, permitem identificar alterações ainda nas fases iniciais e iniciar o tratamento antes que ocorram perdas visuais irreversíveis.

Cuidar da saúde dos olhos hoje é a melhor forma de preservar a visão para o futuro.

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