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do Hospital de
Olhos de Cascavel

Maio Verde: 1,7 milhões de brasileiros convivem com glaucoma sem saber

Doença ocular compromete gradualmente a visão e pode levar à cegueira irreversível

Sentir insegurança ao descer escadas ou caminhar em locais movimentados, precisar virar mais a cabeça para perceber o que está ao redor e terminar o dia com sensação constante de cansaço visual não deve ser encarado como algo normal. Esses sinais podem indicar glaucoma, doença que provoca danos progressivos ao nervo óptico, estrutura responsável por levar as informações visuais dos olhos até o cérebro.

Durante o Maio Verde, mês de conscientização sobre o glaucoma, o alerta se volta para a importância do diagnóstico precoce. Considerada uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, a doença costuma evoluir de forma silenciosa, sem apresentar sintomas nas fases iniciais, o que dificulta a identificação precoce e aumenta os riscos de perda visual permanente.

Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira do Glaucoma, estima que entre 1 milhão e 2,5 milhões de pessoas convivam com a condição oftalmológica no Brasil. Desse total, cerca de 50% a 70% dos pacientes, o equivalente a mais de 700 mil a 1,7 milhão de brasileiros, não sabem que têm a doença. “Ela não tem cura, mas pode ser controlada desde que o paciente procure um especialista e realize o tratamento adequado”, explica a oftalmologista do Hospital de Olhos, Dra. Letícia Cantelli Daud.

Tratamento

A doença provoca aumento da escavação do nervo óptico, comprometendo gradualmente a capacidade de enxergar, principalmente a visão periférica. “São realizados exames para aferir a pressão intraocular, avaliar o campo visual e analisar o nervo óptico, permitindo indicar a melhor conduta, que pode incluir o uso de colírios, aplicação de laser, cirurgia ou a combinação desses procedimentos”, orienta a especialista.

A médica explica que um dos principais desafios da medicina ainda é a impossibilidade de regenerar o nervo óptico. “Existem diversos estudos em andamento que buscam desenvolver métodos para regeneração, mas, até o momento, nada pode ser aplicado de forma efetiva nos pacientes. Por isso, o principal caminho ainda é a prevenção e o diagnóstico precoce”, ressalta Letícia.

Doença silenciosa e suas variações

O tipo mais comum é o glaucoma de ângulo aberto, responsável por cerca de 80% dos casos. A condição evolui de forma lenta e silenciosa, comprometendo de forma gradual a visão periférica. Já o glaucoma de ângulo fechado é considerado uma emergência médica, caracterizada pelo aumento súbito da pressão ocular, acompanhado de sintomas como dor intensa, náuseas e alterações visuais. Também existem o glaucoma congênito, causado por má-formação ocular desde o nascimento, e o glaucoma secundário, associado a traumas, tumores, inflamações ou cirurgias oculares.

Quem tem maior risco?

Alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver glaucoma, especialmente pessoas acima dos 40 anos, com aumento após os 60. O histórico familiar também é um fator de atenção, principalmente em casos entre parentes de primeiro grau. A pressão intraocular elevada é considerada o principal fator de risco modificável da doença. Além disso, condições como diabetes, hipertensão arterial, problemas cardíacos e o uso prolongado de corticoides podem favorecer o surgimento do glaucoma.

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